Candomblé

O Candomblé é uma religião afro-brasileira praticada principalmente no Brasil, mas que tem se expandido consideravelmente em várias partes do mundo.

O Candomblé surge em terra brasileira a partir da exportação de escravos africanos para o Brasil, que aconteceu a partir do século XVI até o século XIX. Grande parte dos escravos eram de origem Bantu, advindos da região da atual Angola, e de origem Iorubá, habitantes da região que fica hoje entre Benin e Nigéria. Foram os Iorubás que fundaram, na Bahia, a religião do Candomblé.
Iorubá trata-se tanto de uma língua africana como também de um grupo étnico.

O povo Iorubá que viveu no Brasil trabalhava não só como escravo na plantação de açúcar como também no serviço dométisco nas casas de seus senhores. Tendo esses melhores chances de manterem contato entre si, puderam assim manter e praticar sua tradição e religião. Com o fim do ciclo de cana de açúcar no século XVIII, muitos escravos trabalharam como escravos de ganho nas cidades grandes, principalmente em Salvador, o que propriciou que eles juntassem dinheiro para compra de suas liberdades, bem como possuir lotes para a criação dos primeiros terreiros.

Tendo em suas origens africanas um aspecto partriarcal, no Brasil o candomblé desenvolveu-se como uma das poucas religiões matriarcais do mundo. Tal mudança se deu ao fato de que, enquanto os escravos eram proibidos de praticarem sua religião, as mulheres de descendência africana casadas com portugueses recebiam a permissão dos seus maridos para praticarem o candomblé.

Confinado originalmente à população de escravos, criminalizado pelos governantes até 1930 e proibido pela Igreja católica, o candomblé expandiu-se consideravelmente com a abolição da escravatura. Atualmente, é uma das principais religiões estabelecidas no Brasil, com milhões de adeptos e seguidores oriundos de diversos lugares do mundo e de camadas sociais. Hoje em dia a liberdade religiosa é um direito garantido a todos não só no Brasil como também em toda a América Latina.

17 Orixás, © Gustavo Teixeira
Baba Murah tanzt für die Orixas, © Fernando Miceli

Mesmo que no candomblé existam diversos orixás, acredita-se em um Deus superior, Olorum. Por causa de seu poder, Olorum quase nunca é venerado diretamente, mas sim através dos orixás, seus mensageiros.

Cada orixá tem sua individualidade, cor e símbolos, assim como também diferentes formas de serem invocados e adorados, através de suas danças, ritmos, oração, cantos e oferendas.

Candomblé como método de cura

Os Babalorixás e as Yalorixás (a forma femina) são no candomblé, ao mesmo tempo, líderes espirituais, adivinhos e curandeiros. Com a ajuda dos búzios, eles podem ver o que está fora de equilibrio ou o que ameaça sair de equlibrio, tanto dentro da comunidade de sua casa, como individualmente.

Eles veem através dos búzios qual ritual, ervas, banhos e cerimônias podem trazer a cura e a harmonia no plano espiritual da pessoa. Uma vez que o lado espiritual esteja em equilíbrio, é possível se construir uma base que se manifesta também no plano material. Candomblé é, com isso, não apenas uma religião, mas também um caminho de cura, que pode ser utilizado contra problemas do corpo e da alma.